Rodrigo Silva lança dois novos livros

Em entrevista exclusiva ao Cristão News, pesquisador comenta os seus trabalhos, a falta de recursos para pesquisa no Brasil e o papel do jovem cristão na ciência

 

O teólogo, arqueólogo, professor e apresentador Rodrigo Silva é um homem que não para. Além de dar aulas no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) e estar no meio de mais uma temporada do programa Evidências na TV Novo Tempo (onde apresenta fatos da História e da Arqueologia que comprovam a Bíblia), ele acaba de lançar dois livros ao mesmo tempo.

A “Enciclopédia história da vida de Jesus”, publicado pela editora PAE, e “O ceticismo da fé”, publicado pela editora Ágape, já estão à venda e foram apresentados ao público na Bienal do Livro de São Paulo, que se encerrou no último dia 12. A enciclopédia reúne materiais de anos de pesquisa do professor em Israel, já o segundo livro é um ensaio de teologia e filosofia, que desafia o leitor a questionar tudo em que acredita. O Cristão News entrevistou o autor com exclusividade, onde ele comentou também o atual corte de verbas públicas para a pesquisa no Brasil.

Rodrigo Silva é graduado em teologia, especializado em arqueologia e mestre em teologia histórica pela Universidade Hebraica de Jerusalém, além de doutor em arqueologia clássica pela Universidade de São Paulo (USP). Ele também é o curador do Museu Arqueológico Paulo Bork, que fica no campus do Unasp na cidade de Engenheiro Coelho, interior de São Paulo.

 

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CRISTÃO NEWS: Só para começar, por que dois livros ao mesmo tempo?

RODRIGO SILVA: Esses livros são fruto de trabalho de pesquisa que eu estou desenvolvendo há muitos anos, e não conseguia concluir. Então consegui um [ano] sabático na universidade onde eu dou aula. E uma oportunidade, junto ao sabático, foi o convite das editoras. Consegui concluir essas duas obras e estou muito feliz com o resultado apresentado.

 

CN:  Isso leva à próxima pergunta: como você consegue tempo para fazer tanta coisa?

RS: Eu me desdobro. Desde que eu estava estudando, eu fazia duas coisas ao mesmo tempo – eu fazia filosofia e o doutorado em teologia, depois eu fiz pós-doutorado e especialização em Israel, tudo junto e ao mesmo tempo. Tem a facilidade de trabalhar na área acadêmica, estou sempre sendo pago para pesquisar, lecionar, palestrar. É claro que tem que ser muito disciplinado no horário, porque muitos desses trabalhos eu faço na minha casa, no meu escritório.

 

CN: A [jornalista e escritora] Fabiana Bertotti certa vez disse que, para ela, é muito importante escrever todos os dias, manter o exercício. Como é a sua rotina, o seu método de escrita?

RS: Eu já sou um pouco menos ortodoxo nesse sentido. Eu leio muito, vou acumulando conhecimento, e quando o “estalo” da escrita aparece na cabeça eu já tenho o texto mais ou menos formulado, já tenho a ideia na cabeça, eu já estudei sobre aquilo. Então eu começo a redigir e é hora apenas de eu colocar as citações e informações que já estavam previamente guardadas. A medida que você vai escrevendo o livro, você lembra de uma informação que teve há dois, três, quatro anos atrás; põe a informação, mas vai checar se existe algum artigo científico novo naquele sentido, algum avanço. Então, acrescenta no rodapé à medida que o trabalho vai sendo produzido.  

 

CN: Há algumas semanas estivemos numa livraria da zona leste de São Paulo, e “O ceticismo da fé” estava na estante dos mais vendidos. Como é ver um trabalho que supostamente é mais especializado atingir um público tão amplo?

RS: Na verdade, nem eu sei. Não tenho como dar essa resposta senão pelo viés religioso. Tudo que eu faço é em parceria com Deus. Na verdade, eu estou apenas transmitindo para as pessoas uma mensagem que não é minha, é a mensagem da história de Deus, e ele se encarrega de chegar nos lugares onde talvez a voz do autor não poderia chegar por conta própria.

 

CN: E o que o leitor pode esperar de um [livro] e de outro?

RS: Primeiro vamos falar de “O ceticismo da fé”. É um livro que não foi escrito em linguagem “igrejeira”, também não é um livro panfletário, muito menos um insulto à inteligência do leitor. É um diálogo honesto, onde eu falo depois de ler autores como Descartes, mas também autores ateus como Kafka, Nietzsche, Schopenhauer, Fernando Pessoa e outros mais que eu podia citar; como as questões que eles elaboraram corroboraram para o meu fortalecimento na fé. E como eu, mesmo sendo uma pessoa de mente inquieta, cheia de dúvidas, questionamentos e incertezas, cheguei, a partir dessas dúvidas, a uma certeza de fé. Em outras palavras, é um diálogo honesto com pessoas que creem, que não creem, e que tem dúvidas em relação à sua crença. A “Enciclopédia histórica da vida de Jesus” é um livro onde eu tento contextualizar, com dados da época (também com fontes primárias, arqueológicas e históricas), o universo que recebeu Jesus Cristo. Mas eu não me prendo apenas a isso. Eu também procuro numa reflexão teológica, num apêndice no fim do livro, refletir sobre quem é a pessoa de Jesus do ponto de vista da fé religiosa. E no início do livro, eu coloco um pouco da veia apologética discutindo se Jesus existiu, e se ele era realmente aquilo que a Bíblia fala ou apenas um personagem inventado.

 

CN: Você fez um vídeo na sua página no Facebook comentando os cortes nas bolsas de pós-graduação no Brasil. Eu queria que você comentasse sobre a importância da juventude cristã estar atenta ao meio científico, inclusive participando dele.

RS: Em primeiro lugar, [temos de] tirar aquele mito de que a religião é lavagem cerebral, que os líderes religiosos não incentivam as pessoas a estudarem. Embora em alguns casos isso seja verdadeiro, eu sou um líder religioso e procuro incentivar a minha juventude ao estudo. Aliás, eu acredito no tríplice desenvolvimento harmônico do indivíduo, das potencialidades físicas, mentais e espirituais. Qualquer desenvolvimento de uma dessas três potencialidades em desequilíbrio com as outras criará um desajuste emocional. Somos pessoas que estão representando o Criador, então precisamos ser como Daniel em Babilônia, jovens que, por onde passarem, deixem a impressão de que Deus também é uma questão de inteligência. Mais do que de inteligência: de sabedoria. Uma sabedoria que desafia até as lógicas e os padrões cognitivos desse mundo.

 

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